Última atualização 6 de julho de 2025 às 22:18 Nos últimos anos, uma nova tendência tem transformado a maneira como viajamos: o turismo “instagramável”. Cada vez mais, os viajantes estão deixando de lado a escolha tradicional de destinos históricos, culturais ou naturais e optando por lugares que oferecem a melhor estética para suas fotos — e que podem ser compartilhadas nas redes sociais. O que antes era sinônimo de descoberta e vivência agora muitas vezes se resume a capturar uma imagem perfeita, bem enquadrada, editada e publicada.
Mas, afinal, o que é o turismo instagramável?
Esse termo se refere à prática de planejar viagens com base no potencial visual dos destinos. Em outras palavras, locais que são considerados “fotogênicos” ganham destaque por sua capacidade de gerar engajamento nas redes sociais, especialmente no Instagram, TikTok e Pinterest.
Cidades europeias com casinhas coloridas, vilarejos pitorescos, praias paradisíacas e até murais artisticamente posicionados estão entre os principais alvos desse tipo de turista. O que importa não é tanto a experiência rica ou imersiva que o lugar pode oferecer, mas sim a possibilidade de tirar boas fotos.
A lógica das redes sociais e o turismo repetitivo
O algoritmo das redes sociais tende a favorecer o que já é popular. Quando um local se torna viral, ele rapidamente se transforma em uma tendência, criando uma verdadeira “corrida do ouro” em busca da foto perfeita, no mesmo ângulo, com a mesma iluminação e, muitas vezes, até com a mesma legenda. Essa dinâmica resulta em uma estética homogênea, onde a originalidade é deixada de lado em favor da repetição.
Esse comportamento está intimamente ligado ao FOMO (fear of missing out, ou “medo de ficar de fora”). Muitos viajantes sentem a pressão de visitar os locais que estão em alta para não se sentirem excluídos da conversa digital. Assim, a viagem deixa de ser motivada pelo desejo genuíno de explorar e se transforma em uma tentativa de se manter relevante nas redes sociais.
O impacto invisível da imagem perfeita
O turismo que se destaca no Instagram pode trazer benefícios econômicos para regiões que antes eram pouco conhecidas. A chegada de turistas movimenta o comércio, cria empregos e atrai investimentos em infraestrutura. No entanto, esse crescimento desordenado também tem seu preço.
Pressão sobre o meio ambiente: O excesso de visitantes em destinos ecologicamente frágeis pode causar danos irreversíveis. Trilhas danificadas, lixo acumulado e destruição de habitats são consequências diretas da superexposição nas redes sociais.
Descaracterização cultural: Restaurantes tradicionais estão sendo substituídos por cafés temáticos que existem apenas para gerar likes. Mercados locais dão lugar a lojas de souvenirs padronizados. O que antes era autêntico se transforma em cenário.
Crise habitacional: Em cidades como Barcelona e Paris, o aumento dos aluguéis por temporada, impulsionado pelo turismo, tem afastado os moradores locais, que não conseguem competir com a demanda dos turistas. A vida cotidiana é empurrada para fora dos centros urbanos.
A arquitetura da imagem
Com o tempo, os próprios destinos começaram a se moldar à lógica do turismo visual. Balanços com vista para o mar, murais com frases inspiradoras, cafés com decoração “instagramável”, plataformas de observação e pontos de selfie são criados com um único objetivo: gerar conteúdo replicável. A experiência de viajar muitas vezes se torna secundária em relação à busca pela imagem perfeita.
É possível viajar com autenticidade na era das redes?
Sim. Embora a estética digital tenha influenciado o comportamento de muitos viajantes, também está surgindo um movimento oposto, que valoriza experiências genuínas. Esse é o turismo consciente, que prioriza o respeito à cultura local, à natureza e à própria jornada pessoal.
Dicas para viajar com mais essência:
Pesquise além do Instagram: Blogs de viagem, livros e conversas com moradores locais oferecem perspectivas muito mais ricas do que os posts de influenciadores.



